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Que o álcool gel nos proteja

Cada vez que a prefeitura de Carazinho publica o boletim diário do coronavírus, com o número de infectados aumentando a cada dia, vejo uma galera comentando: “que Deus nos proteja”; “que Nossa Senhora nos abençoe”; “que Jesus nos defenda”; “que os anjos nos iluminem”; “que o Senhor tenha misericórdia de nós” etc. Olha, nada contra a fé. Inclusive simpatizo um monte com Deus, Nossa Senhora, Jesus, os anjos, o Senhor e etc. MAS nesta hora, a responsabilidade não é do divino não. Mais correto seria dizer: “que o álcool gel nos proteja”; “que o distanciamento físico nos abençoe”; “que a máscara nos defenda”; “que o isolamento social nos ilumine”. Que nós tenhamos misericórdia uns dos outros. Porque nenhuma divindade é capaz de nos defender de nós mesmos.

"Ao professor, a palavra": próximo lançamento da Editora Os Dez Melhores!

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No final de fevereiro, um pouco antes de cair minha ficha sobre o quanto a pandemia era incrivelmente grave, iniciei um projeto cuja ideia eu já trazia em minhas gavetas mentais há tempos: o livro “Ao professor, a palavra”, reunindo textos de professores de escolas públicas e privadas sobre os desafios da sala de aula e como faz para superá-los. O objetivo do livro está guardado no título: dar ao professor a palavra e permitir que ele nos aproxime de uma realidade que, na maioria das vezes, passa bem longe de nossas vistas. Ou passava, né? Porque, com o fechamento das escolas e a suspensão das aulas por tempo indeterminado, muitos pais descobriram que ser professor é muito, muito, muito, mas muito mais complexo do que desconfiava nossa vã filosofia. O fato é que, quando vi, tudo virou de cabeça pra baixo: coronavírus, governo negando o coronavírus, empresários negando o coronavírus, uma galera negando o coronavírus, descaso, desmonte, desrespeito, desespero. Desânimo. P...

Passadores de pano não passarão

Certa vez, escrevi um texto contra a homofobia e uma leitora comentou que achava muito bacana eu me envolver em lutas que não são minhas. Afinal, se eu sou heterossexual, branca e classe média, o que tenho a ver com os LGBTs, com os negros, com os índios e com os periféricos, não é mesmo? Bem, eu tenho TUDO A VER, assim como ela, assim como tu, como nós, como vós e como eles. Impossível pensar uma sociedade melhor e mais justa PRA TODOS (inclusive para os fanáticos e escrotos em geral) se continuamos acreditando que “eu não tenho nada a ver com isso”. Precisamos parar de assobiar e sair de fininho, nos descolando dos problemas que nos cercam como se não vivêssemos em comunidade e não dependêssemos também do coletivo. A vizinha está apanhando do marido? “Não meto a colher”. O gerente pediu que o casal homossexual se retire do restaurante? “Não é da minha conta”. O amigo fez um comentário machista? A amiga contou uma piada homofóbica? “E eu com isso?”. O policial ou o s...

Fica em casa, cristão!

Dentre as muitas coisas que eu não entendo – e agora, mais do que nunca, são tantas! – uma delas é sobre reabrir igrejas, templos e centros religiosos justamente agora, em que o Brasil atinge a ingloriosa marca de quase meio milhão de infectados e chega perto dos 30 mil mortos por coronavírus, afora as subnotificações. Se Deus, afinal, é realmente onisciente (tudo sabe), onipresente (em tudo está) e onipotente (tudo pode), como garantem os crentes, então me parece totalmente possível rezar e se conectar com Ele dentro de sua casa. Ou não? Dentro de sua casa é possível acompanhar cultos, palestras, bênçãos e pregações, já que muitos líderes religiosos conscientes (sim, eles existem!) estão cuidando de seus fiéis à distância. Dentro de sua casa também dá para ler a Bíblia, o Evangelho, o Alcorão, os romances espíritas da Zíbia Gasparetto ou qualquer livro que professe sua fé. De dentro de sua casa é possível até ajudar quem mais precisa – não tem uma parada sobre “fora da car...

"O Duplo da Terra": baixe agora!

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Para quem espera alguma coisa de um sábado à noite, uma sugestão: vem descobrir o que aconteceu com o Boeing 757, que em 1989 sumiu no ar feito fumaça com 194 pessoas a bordo e, 25 anos depois, simplesmente reapareceu voando como se nada tivesse acontecido, no mesmo dia, no mesmo horário e no mesmo local de seu desaparecimento. A bordo, todos os passageiros, para quem o tempo aparentemente não passou: eles continuam com a mesma idade e com a mesma aparência de duas décadas e meia atrás. Para somente uma passageira o tempo transcorreu normalmente, e ela é uma das narradoras do meu 3º livro, O Duplo da Terra , que está disponível para download gratuito aqui . Boa viagem!

Palestra virtual: “A literatura não é chata”!

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Seguindo as recomendações mundiais, que determinam que todo artista deve fazer uma live durante o isolamento, informo aos navegantes que no dia 15 de maio, próxima sexta, vencerei minhas barreiras analógicas e farei uma live  da palestra “ A literatura não é chata ”, que desde 2013 ministro em escolas para alunos a partir do 6º ano do ensino fundamental. Nesta atividade, eu procuro convencer a gurizada a dar uma chance para a literatura, através de 10 motivos práticos que confirmam que os livros são e sempre serão os nossos melhores amigos e maiores aliados. Dia 15/05, a partir das 20h, estarei por aqui   reafirmando que a literatura não é chata, meus senhores – e eu posso provar! Então avisa os filhos e os sobrinhos e também os filhos e os sobrinhos do vizinho, do amigo, do colega de trabalho. Se você é padrinho ou madrinha, chama o afilhado. Se é o primogênito, convida o caçula. Se é vovô ou vovó, dá um toque nos netos. Se você é professor, avisa toda a gale...

Aos professores e escolas

Escrevo para agradecer aos professores e às escolas de Carazinho, e também de todo esse Brasil, por tudo o que estão fazendo pela nossa gurizada. Obrigada por transformar suas casas em salas de aula; por recriar, refazer e reinventar maneiras de ensinar e de aprender, de se comunicar, de envolver o estudante, inclusive orientando-o em suas aflições; mesmo que vocês estejam tão aflitos quanto. Obrigada às escolas que continuam servindo refeições aos alunos em situação de vulnerabilidade. Vocês estão matando a fome de crianças e eu não sei o que pode ser maior do que isso em um país faminto e desigual como o nosso. Obrigada por abrirem mão de seu descanso, de seu tempo, de sua energia, de seu lazer, de suas famílias, de suas próprias dores e angústias e até de suas economias; obrigada por fazerem muito mais do que devem e podem fazer. Não deveria ser assim. Eu não deveria estar aqui, agradecendo à comunidade escolar por literalmente carregar nosso futuro nas costas; por dar m...