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Mostrando postagens de Outubro, 2021

Amanhã será um grande dia!

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Depois de quase dois anos sem colocar os pés em uma escola, amanhã estarei no Colégio Sete de Setembro, de Não-Me-Toque, ministrando a palestra “A literatura não é chata” para estudantes do ensino fundamental II. Minha primeira palestra presencial desde que tudo isso começou. Eu amo, mas amo mesmo, apresentar esta palestra. Sempre amei, desde a primeira vez, lá em 2013.   Mas se antes eu já valorizava e me sentia privilegiada pela chance de trocar uma ideia sobre literatura com os alunos, agora, depois de tudo e de tanto, este contato se tornou algo próximo do vital. Ninguém mais é quem era antes da pandemia. Nós mudamos, você mudou, eu mudei e até a palestra “A literatura não é chata” mudou, como não poderia deixar de ser. Mas tem uma coisa que não muda nunca, não importa o que aconteça: os livros foram, são e sempre serão a chave para abrir a porta de qualquer prisão, principalmente a mental. Aquela na qual vivemos em eterno lockdown, confinados em nosso miniuniverso, falan

Minha mãe nunca deixou que eu desaprendesse a ver

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Essa frase pode soar estranha, mas é assim que funciona: nascemos sabendo ver. A criança enxerga muito mais e muito além do que nós, adultos xaropes. Ela está chorando desesperadamente e então passa uma borboleta. Na hora ela troca a lágrima pelo riso. Tudo espanta a criança porque ela vê o tempo inteiro. Os anos passam e, homeopaticamente, desaprendemos a ver, principalmente através da educação silenciosa que recebemos dos adultos que nos rodeiam e que não veem também. Eles, afinal, não prestam atenção na borboleta. Eles não se importam se aquela nuvem parece um balão. Eles se irritam com o canto dos passarinhos. Eles não se espantam com coisa alguma porque não enxergam mais. E “eles”, meus caros, somos nós, no caso. E é aqui que entra dona Eliane, a minha mãe, que nunca deixou que eu desaprendesse a ver. Porque ela nunca deixou de ver. Ela via e me mostrava, como ainda faz. O pôr do sol. O passarinho cantando no fio de luz. O arco-íris depois da chuva – e a própria chuva. A fruta mad

Feliz Dia do Professor?

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Difícil desejar “feliz Dia do Professor” para nossos educadores, que desde 2014 não recebem nenhum reajuste salarial. Difícil desejar “feliz Dia do Professor” para nossos educadores, tratados com completo descaso, desrespeito e até com violência por governos e governantes, pais e alunos, sociedade, autoridades e até colegas! Difícil desejar “feliz Dia do Professor” para nossos educadores que, quando fazem greve e vão às ruas exigir melhores condições de trabalho, são atacados e agredidos inclusive por quem deveria defendê-los! Difícil desejar “feliz Dia do Professor” em um país que, ao invés de agradecer, acusa seus educadores de doutrinadores, comunistas e outras expressões que os acusadores possivelmente nem sabem o que significam. De modo que não, eu não desejo feliz dia para vocês, queridos mestres. O que eu desejo é salário decente, respeito, saúde física e mental. E não só desejo, como subo no ringue com vocês e, ao seu lado, luto por um país que tome vergonha em sua