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Um bônus e um ônus e vice-versa

Existe uma frase – bem cretina, por sinal – que diz “trabalhe com o que você ama e você nunca terá que trabalhar na vida”. Foi então que um espertinho fez uma releitura do ditado, e criou a “trabalhe com o que você ama e você nunca mais vai amar nada na vida”. Dois conceitos que explicitam bem a nossa infantilidade e imaturidade emocional; a nossa extrema dificuldade em admitir que a vida simplesmente não é como a gente quer que seja. Porque, de tudo, só queremos a parte boa. Reivindicamos o bônus e recusamos veementemente o ônus, apesar de um vir no encalço do outro: queremos trabalhar com o que amamos, mas não queremos compromissos, prazos nem responsabilidades. Queremos encontrar o amor da nossa vida, mas não estamos dispostos a ceder um milímetro. Queremos uma família grande, desde que todos sejam feitos conforme nossa imagem e semelhança. Aí nós conseguimos trabalhar com o que mais gostamos. Encontramos uma pessoa que amamos e que também nos ama. Formamos uma família grande

Sobre se tornar

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Em 1984, quando minha mãe descobriu que estava grávida de mim, lá se iam quase quatro meses de gravidez. Ela e meu pai ficaram bastante chocados, primeiro porque não queriam ter filhos e, segundo, porque tecnicamente não podiam ter filhos. Ao menos foi o que o médico disse. Ele estava enganado, obviamente. Caso contrário, eu não estaria aqui hoje, completando 34 anos e escrevendo este texto. Talvez porque não queriam filhos, meus pais nunca idealizaram seus futuros filhos, de modo que eu nasci com uma liberdade bem atípica para a maioria. Eles não projetaram uma filha assim, assim e assado. Não fizeram planos sobre o que eu deveria ser quando crescer (“advogada como a mamãe ou empresária como o papai e etc.”). Não tinham decidido para que time eu deveria torcer, que tipo de música eu deveria ouvir, qual a cor de roupa eu deveria usar ou a religião que deveria seguir. Eles não ficaram fantasiando sobre o meu futuro, programando a vida que eles achavam que eu iria viver e depositan