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A supercilada

  Eu seguia nas redes sociais uma escritora cujos escritos me agradam. Mas eu parei de segui-la. Não porque seus escritos deixaram de me agradar, mas porque notei que, sempre que recebia suas atualizações, em seguida costumava me sentir mal. Logo percebi um padrão e me liguei: a mina é uma supermina. Saca só. Ela escreve, bebe com moderação, engaja-se em causas sociais, curte muito com os muitos amigos de fé, dá aulas, viaja, tira belas selfies cotidianas, tem uma vida sexual plena e animada, organiza eventos, lê vários livros por semana, faz exercícios diariamente, sua família é querida e feliz e todos se amam, seus dias são produtivos e eficientes. Pelo menos é o que está lá, nas suas postagens. Alerta de cilada, Bino! A partir daí fiquei pensando: será que você, que vê ou acompanha meu perfil no Facebook ou no Instagram, sente-se mal depois de passar por aqui? Espero e confio que não, mas mesmo assim resolvi escrever este post. Só para dizer que, se por acaso você pe...

11 de setembro

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Nesta hora, há 20 anos, eu fazia uma prova de física. Era 11 de setembro de 2001, eu tinha 16 anos e cursava o 3º ano do ensino médio. Estava mal nas disciplinas de matemática, química, física, biologia, educação física e religião, o que comprova minha tendência nata às áreas de humanas desde o princípio. Nesta terça-feira ensolarada de setembro de 2001 eu tinha uma prova importante de física. O professor corrigiu as questões naquela mesma manhã e me deu o que seria a maior nota que eu já tirei em uma matéria de exatas: 9,3. Saí do Colégio São José Notre Dame, em Não-Me-Toque, saltitando, louca para mostrar a nota aos meus pais. Cheguei em casa pouco depois das 11h da manhã sem nem imaginar que o mundo tinha mudado para sempre enquanto eu tentava lembrar o que era o tal do efeito Joule . Meu pai estava parado na frente da televisão, que mostrava imagens das torres sendo atingidas e, depois, caindo. Sempre que está nervoso, meu pai fica em pé com a mão no queixo, balançando o c...

Ode ao gado

Eu fico intrigado: todo mundo desempregado feijão no prato negado o motor do carro desligado direitos revogados o abajur apagado faturas e futuros sonegados   Mas o gado ao açougueiro apegado segue no brete, faceiro e empolgado dizendo ao carniceiro: "poxa, muito obrigado!"   Pronto para ser triturado e em seguida transformado na carne moída que não pode mais comprar no mercado Gado, fique ligado: você também vai acabar mastigado  

Aventuras literárias na escola!

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Desde 2013 eu tenho a sorte e a honra de trabalhar com escolas, em parceria com professores, pais, diretores e simpatizantes em geral, tentando transformar alunos em leitores e leitores em escritores. Um trampo massa, que me alimenta em absolutamente todos os sentidos. Razão pela qual reuni, em um site , todas as aventuras literárias que procuro levar até as salas de aula do interior deste Rio Grande. Tem palestra, oficinas, Desafio Cultural, selo Nascedouro, os livros que escrevi, organizei e participei – e é ali que vou divulgar também meu próximo lançamento, um livro de poesias voltado para adolescentes chamado Cantigas de Despertar . Junto com ele, vem também uma nova palestra, Só + 5 minutinhos , que está ficando bem linda e sobre a qual não vejo a hora de falar. Mais vou esperar mais 5 minutinhos, hihihi. Enfim, será um prazer receber vocês no meu universo literário. Sejam muito bem-vindos! Ah! E se você ver qualquer coisa estranha no site, me avisa? Talvez seja algum p...

Hoje meu pai completa 70 anos

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Eu poderia escrever muitas coisas sobre este cara que eu chamo de pai e que a maioria das pessoas chama de Sergião. Poderia falar sobre sua gentileza quase patológica e sobre como está sempre disposto a ajudar – até quem não deveria. Poderia mencionar sua sensibilidade, que ele tenta disfarçar. Mas seus olhos brilham e se enchem toda vez que ele escuta uma história bonita, uma música antiga ou um poema sobre cachorros. Poderia escrever um texto de mil páginas listando tudo o que meu pai já fez e ainda faz por mim, por nós, por quem ele quer bem e até por quem nem conhece. Sobre o quanto tocou e transformou a vida de tanta gente além dos muros do nosso quintal. Só que não. Eu não vou escrever sobre tudo isso e tanto mais. Porque hoje quero agradecer por algo que só me liguei depois de crescer: a minha infância. Uma das fases mais importantes de nossas vidas; aquela que assenta a base de quem seremos amanhã. A infância que eu tive, todas as crianças do mundo deveriam ter. ...

Esperança é seu nome

  Ainda estava escuro quando saí de casa perto das 7h da manhã do dia 9 de julho de 2021. Meu destino: a Acapesu, o local onde ocorria a vacinação para pessoas a partir de 36 anos aqui em Carazinho. Na noite anterior, dormi e sonhei que me vacinava. Quando acordei, não era sonho. A minha vez finalmente chegou! Os portões seriam abertos às 8h e eu queria me garantir, por isso fui uma hora antes. Devia ter umas 50 pessoas na minha frente. Cheguei, peguei meu lugar na fila e ali fiquei, não acreditando que era verdade. Sorte que eu usava máscara, ou as pessoas em volta se perguntariam por que raios aquela louca estava rindo sozinha. Era impossível não rir. Minha boca sorria involuntariamente. Foi quando começou a amanhecer. No horizonte, o alaranjado do sol anunciava um dia bonito. Eu, que agora tenho mania de poeta e enxergo versos até onde não têm, não consegui não ver a simbologia daquele momento. Não era só o dia que amanhecia. Eu amanhecia também. Um sentimento que há mui...

Conjugue o verbo vacinar

Eu me vacino Tu te vacinas Ele se vacina Nós nos vacinamos Vós vos vacinais Eles se vacinam   E assim o viajante volta a viajar O comerciante volta a negociar Os amantes voltam a se amar O visitante volta a visitar O restaurante, a festa e o bar? Pode voltar a frequentar! Quem é da reza, volta a rezar diante do altar O estudante, para a escola, pode retornar O hospital, agonizante, agora vai esvaziar Ninguém ofegante; o ar não vai mais faltar Pela praça, o caminhante volta a caminhar No estádio, como era antes, o torcedor poderá entrar Nossos braços, tão distantes, voltam a se abraçar Nossos lábios, neste instante, voltam a se beijar Nossas mãos, hesitantes, voltam a se tocar Agora já dá pra olhar adiante e ver uma luz brilhar   Mas se eu não me vacinar Ou tu ou ele ou nós, vós e eles – se este verbo a gente não conjugar Aí, meu filho, não vai adiantar reclamar Porque, sem vacina, a vida como você conhecia nunca mais vai volt...